O FMI está buscando doadores para reforçar seu orçamento, com vistas a agir com maior poder de fogo para solucionar a crise européia. As conversas dão conta de que o FMI aumentaria seu poder de empréstimo, dos atuais US$ 380 bilhões, para US$ 600 bilhões. O dinheiro seria para socorrer os países mais afetados com a crise, como Portugal, Espanha, Itália e Grécia. O novo aporte seria efetuado pelos membros do fundo.
No entanto, o jornal inglês The Guardian informa que o FMI, na verdade, solicitaria este novo aporte de específicos membros: o G20, que inclui o Brasil. Pelas minhas contas (sou perfeitamente analfabeto em matemática, já aviso), nossa contribuição a este aporte poderia chegar a US$ 10,7 bilhões, levando em consideração que a nossa cota no fundo é de 1,79%. Para fins de comparação, o Reino Unido (cota de 4,51%) entraria com mais de US$ 27 bilhões.
A questão é que estamos em um paradoxo: somos grandes demais para sermos considerados “país em desenvolvimento”, mas somos ainda muito pequenos para sermos chamados de “país desenvolvido”. Como podemos contribuir com todo este dinheiro, se ainda sequer resolvemos problemas básicos, como analfabetismo, moradia, saneamento – e o mais importante de todos, educação?
O que parece é que estamos alimentando, com o nosso próprio suor, a ambição da elite política e econômica brasileira em se tornar membro do clube de elite dos países. Como podemos aspirar a uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU, sendo que a criminalidade nas principais cidades brasileiras é uma das maiores do mundo?
O pior é a sensação de que nosso próprio suor também ajuda a sustentar estilos de vida melhores que o nosso. Iremos contribuir com uma montanha de dinheiro para resgatar países considerados “primeiro mundo” pela sua qualidade de vida, pela beleza de suas cidades, pelo nível de educação de seus habitantes, pela rede de segurança que o Estado lhes proporciona e muitos outros quesitos em que nossa qualidade de vida, aqui no Brasil nem se compara.
A decisão será tomada hoje, quarta-feira 18, em uma reunião no México. Até agora, não vi nenhuma publicação brasileira dando conta desta contribuição brasileira ao FMI. No Estadão.com, às 13h23, a notícia era essa aqui. A menção à contribuição brasileira aparece quase como um rodapé. No UOL, às 13h30, nada. Apenas uma notícia curiosa: segundo o IBGE, as famílias gastam mais com saúde do que o governo.
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