sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

the designers republic

no livro de Eric Blair (mais conhecido como George Orwell) sobre os mineiros do norte da Inglaterra, está lá: Sheffield é uma cidade imunda, pobre, feia. E é de lá que vieram os revolucionários da the Designers Republic.

Tudo começou com o pop: Ian Anderson (nada a ver com o cara do Jethro Tull) precisava fazer a arte para a banda que gerenciava, então acabou montando a agência. E o primeiro trabalho da agência, a capa para o single "Don't Get Mad, Get Even!", da banda Age of Chance (a banda que Anderson gerenciava) foi eleita uma das 100 melhores capas de discos de todos os tempos pela revista Q.

Daí para outras bandas, e depois empresas e até mesmo países (a Eslováquia pediu para que a agência criasse a bandeira do país, mas por motivos óbvios, a proposta da agência não foi aceita) foi um pulo. Mesmo com todo o conceito anti-comercial da agência.

Em primeiro lugar, a proposta visual da the Designers Republic era fortemente calcada no construtivismo soviético, com forte apelo do Máximo-minimalismo (que prioriza o uso de poucos elementos para criar o máximo efeito da obra; é daí que vem o lema "Menos é mais", popularizado pelo arquiteto modernista Ludwig Mies van der Rohe). Aliás, a arquitetura minimalista do Modernismo é uma das grandes influências da agência. Tanto que foram convidados a participar do projeto de reconstrução de Quito.

Além do mais, eles foram buscar em Lautréamont, um dos precursores do Surrealismo, inspiração para desenvolver uma forte ironia baseada no plágio. O trabalho que a agência fez para o Pop Will Eat Itself, por exemplo, apresentava engraçadas variações dos logos da Pepsi e de outras empresas (o que não impediu que fossem contratados por grandes corporações). A ironia também está presente em declarações como "Trabalhe Compre Consuma Morra", "Robôs Fazem Robôs" e "Não compre nada, pague agora".

No "Manifesto Comunista", Marx e Engels dão a entender que foi a luta entre a burguesia e o feudalismo (grosso modo) que propiciou o capitalismo, e portanto apenas o desenvolvimento do capitalismo pode criar as bases para que a luta entre proletariado e burguesia ocorra em condições que o primeiro possa derrotar o segundo e instaurar o comunismo. A the Designers Republic seguiu, então, este raciocínio à risca.

Eles abriram uma loja virtual e, logo depois, uma loja física em Tóquio; seus trabalhos, apesar do posicionamento socialista e da forte ironia anti-corporativa, incentivava o consumismo, porém com uma boa dose de informação (vide o site Public Bureau of Consumer Information, um nome típico dos estados comunistas dos anos 60/70).

A agência encerrou seus trabalhos em janeiro de 2009, se bem que em janeiro deste ano, a agência fez a arte do álbum "Oversteps", do Autechre.

Mas chega de conversa. Vá ver alguns trabalhos da agência no site http://www.pho-ku.com (veja que pho-ku é um trocadilho...). A agência também fez um especial para a revista de design Emigre, que já não circula mais. Veja algumas coisas deste trabalho aqui.

0 comentários:

Postar um comentário