<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-795008073804995271</id><updated>2012-01-18T07:42:47.491-08:00</updated><category term='ídolos'/><category term='esboços'/><category term='ideias de mesa'/><category term='listas'/><category term='filmes'/><category term='resenha de livros'/><category term='Economia'/><title type='text'>barulho ácido</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://barulhoacido.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/795008073804995271/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barulhoacido.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Eduardo Furtado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02607638442467506726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_Fwl7dSmu3nM/SyLOaJ_RelI/AAAAAAAAAWc/WUM-YG5Fl-k/S220/2009_1121(045).JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>13</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-795008073804995271.post-127814586561376603</id><published>2012-01-18T07:42:00.000-08:00</published><updated>2012-01-18T07:42:47.496-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Economia'/><title type='text'>Contradições e descaminhos</title><content type='html'>O FMI está buscando doadores para reforçar seu orçamento, com vistas a agir com maior poder de fogo para solucionar a crise européia. As conversas dão conta de que o FMI aumentaria seu poder de empréstimo, dos atuais US$ 380 bilhões, para US$ 600 bilhões. O dinheiro seria para socorrer os países mais afetados com a crise, como Portugal, Espanha, Itália e Grécia. O novo aporte seria efetuado pelos membros do fundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, o jornal inglês The Guardian informa que o FMI, na verdade, solicitaria este novo aporte de específicos membros: o G20, que inclui o Brasil. Pelas minhas contas (sou perfeitamente analfabeto em matemática, já aviso), nossa contribuição a este aporte poderia chegar a US$ 10,7 bilhões, levando em consideração que a nossa cota no fundo é de 1,79%. Para fins de comparação, o Reino Unido (cota de 4,51%) entraria com mais de US$ 27 bilhões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão é que estamos em um paradoxo: somos grandes demais para sermos considerados “país em desenvolvimento”, mas somos ainda muito pequenos para sermos chamados de “país desenvolvido”. Como podemos contribuir com todo este dinheiro, se ainda sequer resolvemos problemas básicos, como analfabetismo, moradia, saneamento – e o mais importante de todos, educação?&lt;br /&gt;O que parece é que estamos alimentando, com o nosso próprio suor, a ambição da elite política e econômica brasileira em se tornar membro do clube de elite dos países. Como podemos aspirar a uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU, sendo que a criminalidade nas principais cidades brasileiras é uma das maiores do mundo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pior é a sensação de que nosso próprio suor também ajuda a sustentar estilos de vida melhores que o nosso. Iremos contribuir com uma montanha de dinheiro para resgatar países considerados “primeiro mundo” pela sua qualidade de vida, pela beleza de suas cidades, pelo nível de educação de seus habitantes, pela rede de segurança que o Estado lhes proporciona e muitos outros quesitos em que nossa qualidade de vida, aqui no Brasil nem se compara. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A decisão será tomada hoje, quarta-feira 18, em uma reunião no México. Até agora, não vi nenhuma publicação brasileira dando conta desta contribuição brasileira ao FMI. No Estadão.com, às 13h23, a notícia era essa &lt;a href="http://economia.estadao.com.br/noticias/economia,fmi-ve-necessidade-de-us-600-bi-em-novos-recursos-para-combater-crise,99757,0.htm"&gt; aqui&lt;/a&gt;. A menção à contribuição brasileira aparece quase como um rodapé. No UOL, às 13h30, nada. Apenas uma notícia curiosa: segundo o IBGE, as famílias gastam mais com saúde do que o governo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/795008073804995271-127814586561376603?l=barulhoacido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barulhoacido.blogspot.com/feeds/127814586561376603/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://barulhoacido.blogspot.com/2012/01/contradicoes-e-descaminhos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/795008073804995271/posts/default/127814586561376603'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/795008073804995271/posts/default/127814586561376603'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barulhoacido.blogspot.com/2012/01/contradicoes-e-descaminhos.html' title='Contradições e descaminhos'/><author><name>Eduardo Furtado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02607638442467506726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_Fwl7dSmu3nM/SyLOaJ_RelI/AAAAAAAAAWc/WUM-YG5Fl-k/S220/2009_1121(045).JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-795008073804995271.post-4630024952782163500</id><published>2012-01-18T04:18:00.000-08:00</published><updated>2012-01-18T04:18:07.241-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenha de livros'/><title type='text'>Bumerangue</title><content type='html'>"Bumerangue" é o novo livro de Michael Lewis - uma espécie de Sydney Sheldon da literatura econômica, em que a minúcia do estilo jornalístico se mistura com a velocidade do romance para relatar um "causo" das finanças. Lewis, porém, não é jornalista. Ele trabalhou no mercado financeiro por alguns anos e, rico, saiu para relatar sua experiência. O sucesso de vendas o inspirou a continuar escrevendo, até que a atual crise econômica lhe trouxe muitos temas para tratar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A crise que começou em 2008 não só serviu como tema para Lewis, mas para muita gente. E haja assunto! Lewis, porém, reina soberano. Dois de seus livros migraram para o cinema, e a vendagem de seus livros continua alta. "Bumerangue", por exemplo, tinha até cartaz na Livraria Cultura - tratamento digno de autor best-seller.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta vez, Lewis migra da crise do sub-prime nos Estados Unidos para a crise do euro. O método, porém, continua o mesmo: falar sobre o esquisito, o absurdo, o nada habitual. Como o personagem de Ricardo Darín em "Um Conto Chinês", Lewis deixa os Estados Unidos e vai para a Europa, onde entrevista personagens de casos inacreditáveis, como o escândalo político que um monastério criou com especulação imobiliária na Grécia, um investidor que aposta no desastre europeu porque estudou tudo sobre a Islândia - e sua atração pelo país começou jogando War... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, diferentemente de "The Quants", de Scott Patterson, que fala sobre os nerds matemáticos que, com suas equações operando em softwares, criaram investimentos surreais, "Bumerangue" submerge na psicologia destes personagens. O ponto alto do livro é quando Lewis vai à Frankfurt entrevistar o vice-presidente do Bundesbank. Na crise de 2008, todos os bancos do mundo se livravam de um investimento conhecido como CDO, que já tinha se mostrando uma fonte de prejuízos imensa. E quem comprava estes títulos? Os bancos alemães.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Lewis, os alemães têm uma relação conflituosa com a merda. O termo aparece em várias expressões carinhosas alemãs, inúmeros ditados populares... e ainda que os alemães fizessem merda comprando os CDOs tóxicos do mundo, a economia alemã permanece sólida como uma rocha. Ao explorar a crise econômica por este ângulo, Lewis se aproxima de "A Ética Protestante e o 'Espírito' Capitalista", de Max Weber. Porém, o alemão é um clássico, enquanto Lewis ainda é pouco mais do que um escritor de aeroporto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É justamente isso que faz "Bumerangue" se destacar na multidão de livros sobre a crise: não estão lá apenas números e histórias de derrotas, mas a psicologia dos personagens envolvidos, vistos por um ângulo inusitado. Porém, vale um alerta: para entender não esta crise, mas todas, a leitura recomendada é "Lords of Finance", de Liaquat Ahamed, sobre a atuação dos quatro principais bancos centrais do mundo durante a Grande Depressão. Juntamente com "O Crash de 1929", de Galbraith, o leitor tem uma dimensão exata dos elementos que causam grandes crises, e pode se aprofundar na cobertura jornalística sobre a crise de 2008 com maior embasamento. Para os mais técnicos, o livro de Nouriel Roubini com Stephen Mihm, "A Economia das Crises", é o ideal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, para quem quer ler alguma coisa sobre o tema indo ou voltando do trabalho, "Bumerangue" é a pedida certa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/795008073804995271-4630024952782163500?l=barulhoacido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barulhoacido.blogspot.com/feeds/4630024952782163500/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://barulhoacido.blogspot.com/2012/01/bumerangue.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/795008073804995271/posts/default/4630024952782163500'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/795008073804995271/posts/default/4630024952782163500'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barulhoacido.blogspot.com/2012/01/bumerangue.html' title='Bumerangue'/><author><name>Eduardo Furtado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02607638442467506726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_Fwl7dSmu3nM/SyLOaJ_RelI/AAAAAAAAAWc/WUM-YG5Fl-k/S220/2009_1121(045).JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-795008073804995271.post-6486293463015951553</id><published>2012-01-17T05:21:00.000-08:00</published><updated>2012-01-17T05:21:21.758-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filmes'/><title type='text'>Drive</title><content type='html'>Não é lá uma grande história: um homem, com um pé no submundo, se envolve com uma garota casada com um sujeito que está na prisão. O sujeito é libertado, mas deve pagar uma dívida; com a ajuda de seu novo amigo, tentam roubar uma loja de penhores, mas o cara é morto durante o assalto. Então nosso personagem tem de matar todos os que estão atrás do dinheiro do roubo, para salvar a vida da garota, agora uma viúva. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a história não é muito original (quem disse que todas as histórias já foram contadas?), a forma é inovadora. Primeiro filme do diretor dinamarquês Nicholas Winding Refn em Hollywood, "Drive" combina alguns truques de video-clip com uma fotografia como que plastificada (cortesia da captação digital de imagens... outro exemplo marcante é "Margin Call" que, ao contrário de "Drive", possui uma tonalidade de cor que parece ter sido filmado em preto e branco). O resultado é uma artificialidade proposital, como a velha dualidade que assombrou a geração anterior a minha: ferro versus plástico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi um choque para meus pais ver que o painel do novo carro era de plástico. A sensação era de que não ia durar muito, de que foi feito de plástico justamente para quebrar logo e forçar uma nova venda, mas além disso, era o sinal de que o mundo havia mudado. Nada mais seria de longo prazo: não iríamos mais dar nomes aos automóveis, porque não iriam mais ficar muito tempo com a gente. Mudou a consistência, muda o relacionamento com as coisas; como as coisas fazem o mundo, logo o mundo também ficou descartável. Portanto, não adianta se envolver com o mundo; feito de coisas de curto prazo, o mundo seria inconstante demais para despertar algum sentimento de envolvimento. Quando nos apaixonássemos pelo mundo, ele já teria mudado, e teríamos de nos apaixonar de novo. Só que a paixão é sentimento de longo prazo... Não à toa, o visual do filme remete aos anos 80.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Igualmente, a fotografia impele o espectador a se manter distante do filme, porque Refn abusa da violência. Em "Drive", a câmera não vira o rosto; pelo contrário, adota a perspectiva de quem está cometendo a violência. Tudo aparece de frente, mas o sangue não jorra: escorre. Não há gritos, apenas o rosto deformado pela dor. Daí a fotografia "plastificada", como que estabelecendo uma proteção entre a violência na tela e o espectador. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Drive" está previsto para entrar em exibição no dia 24 de fevereiro, sabe-se lá porque. A lógica da distribuição de filmes não é a mesma da do espectador, o que abre um espaço enorme para a pirataria prosperar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/795008073804995271-6486293463015951553?l=barulhoacido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barulhoacido.blogspot.com/feeds/6486293463015951553/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://barulhoacido.blogspot.com/2012/01/drive.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/795008073804995271/posts/default/6486293463015951553'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/795008073804995271/posts/default/6486293463015951553'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barulhoacido.blogspot.com/2012/01/drive.html' title='Drive'/><author><name>Eduardo Furtado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02607638442467506726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_Fwl7dSmu3nM/SyLOaJ_RelI/AAAAAAAAAWc/WUM-YG5Fl-k/S220/2009_1121(045).JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-795008073804995271.post-4189241798410768444</id><published>2012-01-14T02:23:00.000-08:00</published><updated>2012-01-14T02:23:00.394-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='listas'/><title type='text'>as 10 músicas principais do punk</title><content type='html'>Não há melhor coisa para semear a discórdia entre os homens (e as mulheres) do que... listas. Aquela história de que gosto não se discute é balela. As preferências estão intimamente ligadas à personalidade, portanto se um não gosta da minha música preferida, então não gosta de mim. É simples assim, embora muita gente não entenda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, vamos de listas! A primeira é sobre as 10 músicas principais do que se convencionou chamar de punk: barulho, atitude e coragem. No começo de tudo, os ingredientes do punk (quando ainda nem existia este nome) eram guitarras e tédio. Depois o tédio foi substituído pela revolta; depois, a guitarra foi substituída pela eletrônica, e o hedonismo entra em cena. Tudo a ver com o final do século 20, e o começo deste século 21.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta lista apresenta as 10 músicas que mais representam o punk, em suas diversas faces. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Ancestrais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC5 - "Kick Out the Jams"&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O punk começou no norte dos Estados Unidos: "kick out the jams, motherfucker!" Era 1969 (que reaparecerá adiante), e uns cabeludos malucos de Detroit (então chamada de Motor City, daí o MC do nome da banda) cantavam sobre groupies, enquanto outros tipos de cabeludos malucos pregavam paz e amor. Enquanto os hippies tentavam levitar a Casa Branca, em um protesto contra a Guerra do Vietnã, Wayne Kramer e asseclas faziam o maior barulho possível em porões enfumaçados. Nada de Era de Aquário, California Dreamin' ou Woodstock: em Detroit, só há cinza, concreto e fumaça, de carros e das fábricas que os produzem. O único jeito então é escapar pelo sexo, drogas e rock'n'roll (embora, aparentemente, a expressão só seria registrada em música por Ian Dury, lá por 1976). O futuro do pop em seu nascedouro: depois viriam Sex Pistols, Joy Division e My Bloody Valentine, declarando que o barulho é a definitiva expressão do tédio. Porém, antes de todos eles, tinha os...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe width="420" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/yvJGQ_piwI0?rel=0" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; The Stooges - "I Wanna Be Your Dog"&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto tempo eu fiquei para me decidir entre esta e "1969"... e agora, ainda não sei se escolhi a música certa. De qualquer forma, "I Wanna Be Your Dog" é crua e pop, violenta e doce ("So messed up I want you here" são os primeiros versos), o suprassumo do tédio (tanto quanto "1969"). São basicamente três acordes (G, F#, E) e uma nota exaustivamente repetida no piano (cortesia de John Cale, que produziu o disco de estréia onde tem esta música) ocupando pouca coisa mais que 3 minutos. A música é totalmente absoluta: basicamente todo mundo importante no pop fez sua cover. Aqui, o tédio, a carência, a apatia ganha distorção e peso, com uma batida cavalar - a melhor linha de bateria do punk, mesmo que Iggy Pop nem imaginasse que sua banda poderia ser classificada assim. Hoje ele sabe, mas não sei se aprova...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe width="420" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/BJIqnXTqg8I?rel=0" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;A Santíssima Trindade&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;The Clash - "London Calling"&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a sensação de urgência que torna esta música um clássico: nos pouco mais de 3 minutos da música, parece que o Tâmisa irá alagar Londres e que nada mais terá salvação. É a tensão que permeia a música, fornecida pelos vocais de Strummer, o baixo angustiante (e com forte influência de reggae) de Simonon e a bateria incessante de Headon. Talvez a melhor música punk de todos os tempos, ainda que não seja tão punk assim. "London Calling" e "Transmission", do Joy Division, capturaram melhor que nenhuma outra música a atmosfera do final dos anos 70 no Reino Unido - ambas foram lançadas em 1979. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe width="420" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/lotkzHsIuoA" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Sex Pistols - "Pretty Vacant"&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quê trabalhar? As férias são tão bacanas... ainda mais se forem indefinidas.Ah, somos tão inúteis... o hedonismo em sua forma mais radical. E também diversão radical: Rotten (ou Lydon) pronuncia "vacant" de forma a deixar implícita a palavra "cunt". Lançada no auge da crise econômica que levaria Margaret Thatcher ao governo, "Pretty Vacant" é o anúncio de que a juventude havia cansado: não haveria mais maio de 1968, e sim quebras-quebras como os de 2011, apenas para conseguir mercadorias e dar vazão ao tédio. A música é de 1977, e ainda ninguém levou o aviso a sério...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe width="420" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/Z1IxLn-6hqU?rel=0" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Dead Kennedys - "Holiday in Cambodia"&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O começo parece música de filme de super-herói dos anos 60, mas depois que entra a voz de Jello Biafra, dá para entender: enquanto a juventude no Ocidente pensa que por ter diploma e uma boa vida, basta protestar contra o sistema, no Oriente as coisas vão seguindo cada vez piores, como a ditadura totalitária imposta por Pol Pot ao Cambodia (Pol Pot estudou na França, nos anos 50). &lt;br /&gt;O vocal de Jello Biafra reflete a ironia da letra de forma que chega a ser divertido. Composta durante a brutal ditadura do Khmer Vermelho no Cambodia, a música não foi adotada pelos surfistas (como "California Über Alles" foi nos anos 80; que agora ouçam coisas como Jack Johnson é de dar risada) e meio que passou batida por aqui ("que diabos é Cambodia????"). O Dead Kennedys não tinham o visual punk que marcou o Clash e o Sex Pistols. Porém, na média, seu disco estréia é melhor do que os de seus congêneres ingleses. E as letras, melhores também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe width="420" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/-KTsXHXMkJA?rel=0" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Correndo por fora:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The Scars - "Horrorshow"&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma música completamente esquecida até que Lemon Jelly a usou para criar "The Shouty Track", e o The Scars teve mais fama de quando eram jovens. A letra cita "Laranja Mecânica", mas nem é o vocal ou a guitarra que chamam a atenção: é o baixo. Nunca uma música punk teve uma linha de baixo tão decente quanto "Horrorshow". É o baixo quem conduz a música, já que a guitarra preocupa-se em apenas organizar harmonicamente o barulho e a distorção. Brilhante - pena que as demais músicas da banda nem cheguem perto de "Horrorshow". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe width="420" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/0jfqrWhjVf0?rel=0" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Não é punk, mas é como se fosse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The Jam - "That's Entertainment"&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O arranjo é mínimo: um violão, um baixo e um pandeiro. O resultado é absurdo: uma descrição perfeita de uma vida classe média no Reino Unido do final dos anos 70. Esta música poderia ser o hino deste blog: o barulho é entretenimento, diz a letra. Paul Weller é capaz de escrever versos como "Two lovers kissing amongst the scream of midnight/Two lovers missing the tranquillity of solitude". André Malraux escreveu que as 6 horas da manhã é o horário dos pequenos destinos; Weller responde: "Waking up at 6 a.m. on a cool warm morning / Opening the windows and breathing in petrol". É a vida na cidade: barulho, poluição, pequenos destinos. Embora a música esteja longe de representar o estilo do The Jam, é sua criação mais perfeita. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe width="420" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/ubxYYzYNP84?rel=0" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Mantendo o espírito punk:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;M.A.R.R.S. - "Pump Up the Volume"&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos partir de um fato e de um delírio: o fato é que o punk é, basicamente, o conceito do Faça Você Mesmo, um tapa na cara dos esnobes progressivos que infestavam a música nos anos 70, a força conservadora que hoje se mostra com toda força no heavy metal virtuoso. O delírio: e se tudo tiver um fim, inclusive a criatividade? E se tudo já foi realmente feito, como um monte de gente afirma? O fato e o delírio se encontram no M.A.R.R.S., o primeiro projeto musical a usar um treco chamado sampler, para construir uma das primeiras músicas inteiramente feita de músicas dos outros. Isso foi a reconstrução do pop nos anos 80, como a dupla Sex Pistols / The Clash foi a reconstrução do pop nos anos 70. A diferença é que o M.A.R.R.S. se apropriou de músicas dos outros para compor coisas inteiramente novas. No processo, entra rap e música árabe. Como resultado, M.A.R.R.S. foi um dos primeiros grupos a enfrentar ações judiciais por infração de copyrights (os conservadores nunca dormem). Não é punk na forma nem no estilo, mas na concepção e na ousadia. Clássico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe width="420" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/w9gOQgfPW4Y?rel=0" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; The KLF - "3am Eternal"&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O punk como o conhecíamos foi morto pelo M.A.R.R.S; quem definitivamente o enterrou foi o KLF. Dois malucos que, dentre outros feitos, queimaram 1 milhão de libras (alegadamente, dinheiro dos royalties de seus 3 singles lançados em 1991, "3am Eternal" entre eles, que foram os mais vendidos naquele ano), foram processados pelo ABBA e escreveram um livro ensinando como ser popstar sem saber sequer tocar um instrumento ("se tiver um, jogue-o fora", lia-se no livro). Bill Drummond (um dos meus ídolos) e Jimmy Cauty saíram da música pop com uma festa no Brit Awards, onde convidaram o Extreme Noise Terror para uma versão de "3am Eternal" entrando no palco com metralhadoras de grampos de papel. Na porta do after-party, colocaram um carneiro morto, anunciando sua retirada do showbiz e apagando suas músicas do catálogo, além de proibir qualquer execução pública de suas músicas. Punk ou o que? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S.: Drummond morreu no final de 2010, e ganhou apenas algumas notinhas de jornal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe width="420" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/LXEOESuiYcA?rel=0" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O futuro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualquer um que saiba usar computador - "Qualquer mashup"&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O máximo do Faça Você Mesmo, a dissolução definitiva da barreira entre produtor e consumidor: o mashup. Pegue quantas músicas puder e: (a) faça outra ou (b) melhore a que você já gosta. O pop achou seu futuro, e ele não pertence a nenhum músico, a nenhuma gravadora - e sim, à tecnologia. Agora, é possível juntar Michael Jackson e Gorillaz, Bob Marley e Iron Maiden, Bee Gees e Pink Floyd. Como as músicas pop têm praticamente o mesmo tom, o mesmo tempo e a mesma duração, a criatividade pode ir a qualquer lugar com os baratíssimos e cada vez mais fáceis de usar softwares de edição de música. É como se uma pessoa comum, como eu ou você, levasse a máxima da arquitetura modernista ("menos é mais") ao limite. E, no processo, deixando claro que leis como as de copyrights são coisas do século passado. Com o mashup, a gente até esquece, por três minutos, de como o mundo é um lugar chato pra cacete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ramones vs. Jet: "Are You Gonna Be My Blizkrieg Girl" - DJ Faroff&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe width="420" height="315" src="http://www.youtube.com/embed/jR2RhYu92ls?rel=0" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S.: Sim, esta é a única aparição de Ramones nesta lista. Além de musicalmente fraquíssimos, não eram punks - &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Maria_Bartiromo"&gt;você sabia que o Joey Ramone...&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/795008073804995271-4189241798410768444?l=barulhoacido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barulhoacido.blogspot.com/feeds/4189241798410768444/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://barulhoacido.blogspot.com/2012/01/as-10-musicas-principais-do-punk.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/795008073804995271/posts/default/4189241798410768444'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/795008073804995271/posts/default/4189241798410768444'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barulhoacido.blogspot.com/2012/01/as-10-musicas-principais-do-punk.html' title='as 10 músicas principais do punk'/><author><name>Eduardo Furtado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02607638442467506726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_Fwl7dSmu3nM/SyLOaJ_RelI/AAAAAAAAAWc/WUM-YG5Fl-k/S220/2009_1121(045).JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/yvJGQ_piwI0/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-795008073804995271.post-8351467256235951474</id><published>2012-01-13T03:59:00.001-08:00</published><updated>2012-01-13T03:59:23.187-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenha de livros'/><title type='text'>a poesia de manoel de barros</title><content type='html'>Por quê há má poesia, má música, maus livros? Por quê há má filosofia e má ciência? Oras, porque o pensamento que prevalece neste mundo ocidental apresenta falhas. E estas falhas estão justamente na base que funda este pensamento: o sistema de interpretação do mundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O modo como interpretamos os eventos da natureza é a origem do nosso sistema de pensamento. Tudo na começou na Grécia, com a constatação das alternâncias que a natureza proporciona: noite e dia, chuva e sol, frio e calor... Esta idéia de que tudo tem apenas dois lados diferentes permeia todo o nosso pensamento, há mais de 25 séculos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este sistema, baseado nas diferenças entre os estados da matéria, nos deu, entre outras coisas, o código binário, que me permite escrever neste blog, e - mais importante, porque está intimamente ligado às perguntas acima - o sistema de adjetivos, que é o mesmo para todos os idiomas ocidentais. Este sistema de adjetivos reflete a alternância da natureza: bonito/feio, bom/ruim, bondade/maldade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema, porém, é o meio termo. Este sistema de raciocínio não nos permite compreender aquele estado que não é absoluto. Por exemplo: um copo com água pela metade - está ele semi-vazio ou semi-cheio? Veja que, independentemente da resposta, a simples possibilidade de que as duas condições sejam válidas já é uma contradição com todo o sistema, que postula apenas uma condição para cada estado da matéria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;André Comte-Sponville, em seu "Pequeno Tratado das Grandes Virtudes", imagina um oficial nazista, extremamente cruel em seu trabalho no campo de concentração de Auschwitz, que ao chegar em casa é um pai exemplar e um ótimo vizinho, envolvido nos assuntos de sua comunidade e estimado por todos. Este nazista é um bom homem, um mau homem - ou ambos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A situação não melhora quando passamos a raciocinar pelo caminho oposto - o das semelhanças. A idéia é de Platão: ele afirma, em "A República", que todas as coisas do mundo têm uma forma básica, de onde saem tudo o que habita o mundo. Ele dá o exemplo do cavalo: embora os cavalos tenham diferentes cores, tamanhos e pelagem, todos eles têm elementos em comum que permitem se dar um nome só para aquele animal. Estes elementos em comum são a fôrma de onde saem os cavalos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é a base do nosso sistema linguístico, como estabelece Ferdinand Saussure e sua idéia de que um signo (uma palavra) consiste em um "conceito" - seu significado - e uma "imagem sonora" - o significante. Podemos pensar que o "conceito" equivale à fôrma de Platão, já que, independente do idioma, a conceito de uma cadeira é o mesmo em todos os povos; e a "imagem sonora" seria as palavras que descendem este "conceito" que lhes dá forma, múltiplas em termos de idioma, mas únicas por nascerem da mesma fonte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema, aqui, é que este sistema não é profundo o suficiente para entender o meio termo. Fritjof Capra explica como a linguagem é insuficiente para descrever (e nos fazer entender) os problemas da física quântica; e todo o seu "Tao da Física" pretende convencer que nosso pensamento, criado pelos gregos e aperfeiçoado por Descartes, é incapaz de apreender as características do mundo sub-atômico - justamente a parte da natureza que não podemos observar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E essa é exatamente a questão: nosso sistema de raciocínio funda-se totalmente em apenas um dos cinco sentidos - a visão. O que não podemos observar, não temos como explicar; e, por causa desta deficiência, não conseguimos compreender os fenômenos naturais que ocorrem dentro de nós: os sentimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz a lenda que a palavra "saudade" existe apenas em português (há um termo semelhante em galego: "morriña"). Há vários termos em outros idiomas que captam, porém, apenas um aspecto dentre os vários que a palavra "saudade" possui. No entanto, é possível para alguém explicar a um forasteiro o que é "saudade"? Em 2004, uma empresa de traduções britânica classificou o termo como o sétimo mais difícil de traduzir dentre todas as palavras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joelmir Betting uma vez disse: "É praticamente impossível definir o que é ser palmeirense para quem não é, e completamente desnecessário explicar para quem é". Esta é a encruzilhada em que está a palavra "saudade": ela não pode ser apreendida pela razão, é preciso senti-la. Porque quando sentimos, compreendemos o que é saudade em toda a sua extensão; mas aí, não nos é possível exprimir o que sentimos em palavras, em idéias, em conceitos. Ou seja: a palavra "saudade" não descende de um "conceito", de uma "fôrma". É um termo à deriva da razão, pois está ancorada firmemente naquela parte de nós em que o "coração" governa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão é a mesma em relação a outro sentimento praticamente impossível de se apreender pela razão: o tédio. Lars Svendsen, em "Filosofia do Tédio", afirma que o tédio é uma "morte em existência". Svendsen tenta mostrar, aqui, que não é tanto a palavra que nos dará a mensagem, que nos fará compreender o que é o tédio, mas sim a imagem que a concatenação daquelas palavras constrói na nossa imaginação. Ou seja, nem é a imagem sonora ou o conceito que importam, aqui, mas a imagem mental, aquela que formamos dentro de nós e aciona os sentimentos e não a razão, e que nos dará a mensagem pretendida pelo autor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma subversão implícita na idéia de imagem mental, em relação ao domínio da razão sobre o pensamento ocidental, porque ela abandona por completo todo o sistema que fundamenta o modo como pensamos e, por conseguinte, agimos. Em outras palavras (e idéias), a lógica já não é mais necessária e, sem ela, também se torna inútil a padronização do pensamento: as idéias não precisam ser mais as mesmas para todos. Cada indivíduo pode ter a sua imagem mental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o passaporte para isso é a poesia. É interessante notar como a poesia contemporânea se libertou da prisão da forma e do conteúdo para se dedicar totalmente à criação de imagens mentais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A poesia moderna começa com Dante Alighieri. "A Divina Comédia" indica o caminho para a poesia que virá: o ritmo das palavras se sobrepõe à criação de imagens e o estilo é soberano. Dante escreveu seu épico em 100 cantos, divididos em 3 cânticos, em um esquema de versos chamado terza rima, utilizado pela primeira vez justamente por Dante: stanzas de três versos no padrão aba, bcb, cdc e assim por diante. Cada verso tem 11 sílabas. Alguns críticos afirmam que a preponderância do número 3 no épico (3 cânticos, 3 versos e assim por diante) tem conotação religiosa, simbolizando a Santíssima Trindade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o poema, Dante cristalizou o dialeto toscanês como o idioma nacional da Itália e influenciou vários outros poetas, como Byron, Shelley, Chaucer (todos ingleses, apesar do idioma de Shakespeare dificultar a composição nesta forma) e John Milton.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Paraíso Perdido" foi escrito quando Milton estava cego - ele ditou a obra para a sua esposa. Milton não utilizou a terza rima neste poema - ele preferiu versos brancos, que mantêm a métrica, mas dispensam a rima. Sua obra foi tão influente para o desenvolvimento da poesia que seu uso dos versos brancos foi chamado de Miltônico, já que seu estilo foi obrigatório para aqueles que tentaram escrever épicos no idioma inglês nos séculos seguintes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto Alighieri quanto Milton subordinaram suas obras à razão, e usaram a lógica do pensamento ocidental, no formato de estilos, métricas (a simetria é, justamente, uma das forças que nasceram do pensamento ocidental a moldar a criação artística) e rimas. A criação de imagens mentais, nos dois casos, é fortíssima; no entanto, não era isso a preocupação inicial dos dois autores. O ritmo das palavras, que implica em uma lógica de encadeamento, era, talvez, a maior preocupação estilística de ambos, já que viviam em uma época em que a imprensa não existia (Dante) ou era de uso muito restrito (Milton) e, por isso, confiavam na propagação de suas obras pela via oral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um vínculo entre a razão e a emoção na leitura destas obras que subordina a última à primeira - é preciso compreender a imagem mental proposta pelo poeta para poder senti-la. Na poesia contemporânea, a tentativa é justamente quebrar este vínculo e estabelecer uma relação direta entre as palavras que constroem a imagem mental e a compreensão direta pelos sentidos do leitor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é a proposta de Manuel de Barros. Em nenhum outro livro dele está mais clara sua proposta de destruir a conexão razão/emoção do que em "O Livro das Ignorãnças", onde ele define sua visão de poesia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"No Tratado das Grandezas do Ínfimo estava escrito:&lt;br /&gt;Poesia é quando a tarde está competente para dálias.&lt;br /&gt;É quando&lt;br /&gt;Ao lado de um pardal o dia dorme antes.&lt;br /&gt;Quando o homem faz sua primeira lagartixa.&lt;br /&gt;É quando um trevo assume a noite&lt;br /&gt;E um sapo engole as auroras".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele propõe um delírio do verbo para criar novas realidades na mente de quem lê:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"No descomeço era o verbo.&lt;br /&gt;Só depois é que veio o delírio do verbo.&lt;br /&gt;O delírio do verbo estava no começo, lá onde a&lt;br /&gt;criança diz: Eu escuto a cor dos passarinhos.&lt;br /&gt;A criança não sabe que o verbo escutar não funciona&lt;br /&gt;para cor, mas para som.&lt;br /&gt;Então se a criança muda a função de um verbo, ele&lt;br /&gt;delira.&lt;br /&gt;E pois.&lt;br /&gt;Em poesia que é voz de poeta, que é a voz de fazer&lt;br /&gt;nascimentos --&lt;br /&gt;O verbo tem de pegar delírio."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Manoel de Barros, não há necessidade de lógica alguma. É como se ele afirmasse que a subordinação da emoção à razão fosse efetuada pela lógica e, portanto, suprimi-la equivale a anular a razão e falar diretamente à razão. Assim, a imagem mental proposta pelo poema é formada de súbito na mente do leitor, sem que se possa compreender o processo pelo qual ela foi formada. É muito mais uma questão de intuição do que de razão. É preciso, porém, preparar-se para a leitura de um poema de Manoel de Barros. É necessário aprender a "pensar sem lógica" para apreender e desfrutar a experiência de ler um poema em que a construção de imagens mentais é soberana em relação à forma e ao conteúdo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/795008073804995271-8351467256235951474?l=barulhoacido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barulhoacido.blogspot.com/feeds/8351467256235951474/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://barulhoacido.blogspot.com/2012/01/poesia-de-manoel-de-barros.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/795008073804995271/posts/default/8351467256235951474'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/795008073804995271/posts/default/8351467256235951474'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barulhoacido.blogspot.com/2012/01/poesia-de-manoel-de-barros.html' title='a poesia de manoel de barros'/><author><name>Eduardo Furtado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02607638442467506726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_Fwl7dSmu3nM/SyLOaJ_RelI/AAAAAAAAAWc/WUM-YG5Fl-k/S220/2009_1121(045).JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-795008073804995271.post-3221692399421207944</id><published>2012-01-13T03:46:00.001-08:00</published><updated>2012-01-13T03:46:40.671-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenha de livros'/><title type='text'>filosofia do tédio - lars svendsen</title><content type='html'>Ao me deparar com este livro na Cultura, pensei: "só mesmo um escandinavo para escrever um livro destes". Como a ideia fazia todo o sentido, comprei o livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São apenas 170 páginas, divididas em quatro seções. A primeira define o tédio: "O tédio surge quando não podemos fazer o que queremos, ou temos de fazer o que não queremos". É quase uma citação a Camus, em o "Mito de Sísifo", quando o argelino define a vida entediante que se passa em um escritório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa parte é um passeio literário: Svendsen evoca Kierkegaard, Beckett, Pound, Thomas Mann e até o "Livro do Desassossego", de Pessoa (de fato, uma das obras mais entediantes que já li). Através da literatura, o norueguês consegue identificar o problema do tédio dentro da modernidade com precisão cirúrgica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na segunda parte, Svendsen faz uma história do tédio. Ele resgata a ideia milenar de "acédia" que, segundo Pôntico, seria o demônio do meio-dia: estando o sol no meridiano, inclemente e aparentemente imóvel sobre um céu escaldante, tudo parece parado e sem sentido; portanto, para um monge, superar a acédia seria se tornar capaz de vencer todas as tentações e privações e, aí sim, devotar sua vida à Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da acédia, segundo Svendsen, nasce o tédio moderno (ele recusa a ideia de pós-modernidade, o que veremos depois). Aqui, é como se ele se baseasse no economista canadense John Kenneth Galbraith e o conceito de "sociedade afluente": em um tempo em que todas as necessidades básicas estão satisfeitas, o que há com o que se importar? Por isso o consumismo, o consumo de drogas e o vandalismo: artimanhas fúteis para atenuar o peso do tédio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A terceira parte dedica-se a analisar a visão do controverso alemão Heidegger sobre o tema. Entre 1929 e 1930, Heidegger proferiu uma série de conferências sobre os principais problemas da metafísica: o mundo, a finitude e a solidão. É a parte mais densa do livro, porque baseia-se quase que apenas nas ideias extremamente abstratas do filósofo alemão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, é fundamental entender esta parte, porque ela lança as bases para o capítulo final da obra, onde Svendsen faz uma ética do tédio. Logo no começo, o autor faz uma ressalva: "Não há solução para o problema do tédio: é isso que o torna um problema". Então, Svendsen discorre sobre as posturas possíveis do indivíduo em relação ao problema do tédio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro é essencial para se entender os tempos bicudos que estamos atravessando, mas sua principal virtude é recolocar a filosofia em seu lugar natural: o de explicar o mundo e aqueles que vivem nele. A escola francesa de filosofia, principalmente dos anos 60 aos 80, fugiram da realidade e se enclausuraram em métodos, em artes abstratas e em releituras pontiagudas de clássicos do passado. Svendsen parece sinalizar para uma retomada da filosofia mundana - vale lembrar que, para os gregos, a filosofia era uma tentativa de explicar o mundo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nem tudo são flores. A recusa de Svendsen em reconhecer a pós-modernidade é calcada em argumentos difíceis de se aceitar. Ao atacar o polonês Zygmund Bauman, ele argumenta que ainda somos românticos porque o pós-modernismo, como ideologia, é algo do passado; o pós-modernismo de Bauman seria, então, um Romantismo exacerbado, porque apenas eleva as características românticas à enésima potência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também tenho meus problemas com Bauman, mas não acredito que a sua ideia de pós-modernismo coincida com a visão de Svendsen. Em primeiro lugar, chamar o pós-modernismo de ideologia me parece uma visão restrita: uma ideologia é algo imposto, como o consumismo; o pós-modernismo surgiu como um comportamento aleatório que logo se tornou dominante. Depois, Bauman não inventou a definição de pós-modernismo: há também Harvey, Vattino e mesmo Habermas escrevendo sobre o tema. Porém, isso não estraga o livro. "Filosofia do Tédio" é um dos livros essenciais para se começar a tentar entender nosso tempo. Escrito em uma linguagem ágil e simples, a obra nem parece ser de filosofia contemporânea. Se "Mito de Sísifo" lhe agrada, este aqui não irá decepcionar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/795008073804995271-3221692399421207944?l=barulhoacido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barulhoacido.blogspot.com/feeds/3221692399421207944/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://barulhoacido.blogspot.com/2012/01/filosofia-do-tedio-lars-svendsen.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/795008073804995271/posts/default/3221692399421207944'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/795008073804995271/posts/default/3221692399421207944'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barulhoacido.blogspot.com/2012/01/filosofia-do-tedio-lars-svendsen.html' title='filosofia do tédio - lars svendsen'/><author><name>Eduardo Furtado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02607638442467506726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_Fwl7dSmu3nM/SyLOaJ_RelI/AAAAAAAAAWc/WUM-YG5Fl-k/S220/2009_1121(045).JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-795008073804995271.post-1943207812024465921</id><published>2012-01-13T03:42:00.001-08:00</published><updated>2012-01-13T03:42:17.303-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ideias de mesa'/><title type='text'>elogio ao erro</title><content type='html'>Manu Conceição disse: "É necessário o erro, o desvio, uma medida fora da linha. Para mulheres e para homens. A beleza padrão é algo de que todos gostam. Mas o melhor mesmo não é gostar, é se apaixonar, amar. E para isso acontecer tem que ter o quê a mais. Aquele algo que faça a diferença".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se entendi bem o que a Manu Conceição disse, a diferença é a ousadia: ir lá e fazer porque se quis. O "quê a mais" é sentir-se livre para ir lá e fazer, e pronto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas quem tem a coragem? Vivemos em um tempo politicamente correto, que é a desculpa para a mediocridade, acomodação, o "porto seguro". Nobody moves and nobody gets hurt, já se diz há tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí que todas as decisões são pautadas pelo medo, que é o outro lado da ousadia. Ninguém quer transgredir: todos querem um emprego seguro e estável, relacionamentos onde se pode afogar as carências e diversões baratas e que não causem problemas depois. O prazer se torna proibido. A diversão é uma heresia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então fica assim: o trabalho é legal, o relacionamento dá futuro e a vidinha segue. E a gente finge que não é preciso se divertir, que a transgressão é coisa dos "alternativos" e que somos felizes assim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aí, quando ficarmos velhos e chegar a hora do balanço final (aquela pergunta: "e aí, essa vida valeu a pena?"), a gente tentará fingir, mais uma vez, que sim, valeu a pena ter andado nessa linha que nivela tudo e a todos por baixo, que torna tudo um tédio só, e que todas as nossas vontades, que surgiram pela vida e foram ignoradas, não eram mesmo possíveis; só o que realmente fizemos, mesmo que a contragosto (em nome de um futuro que sempre insiste em nunca chegar), era o que deveríamos fazer, por que assim esperaram de nós. Quem esperou isso de nós? Um emprego maçante, um relacionamento plano, uma vidinha lenta e... tediosa. E porque o futuro nunca chega? Porque não vivemos o presente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A transgressão implica em aproveitar o momento que se revela agora. A ousadia é um estilo de vida. Como diz o Miguel Esteves Cardoso, em um texto que reproduzi aqui há pouco tempo, temos de deixar de pensar em carreira, consumo, cultura e família; não se pode vender o hoje para comprar o amanhã. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A revolução que nossos tempos tanto espera pode estar em, justamente, não se importar com o amanhã, viver apenas o hoje: transgredindo o que nos é imposto, dando de ombros para o trabalho, para o consumo e para todas as outras rédeas. Seja no amor, como propõe a Manu, seja para vida toda. E deixar que o erro não seja um castigo, mas uma lição: não a de que transgredir não valha a pena, mas sobre como transgredir mais - e melhor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/795008073804995271-1943207812024465921?l=barulhoacido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barulhoacido.blogspot.com/feeds/1943207812024465921/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://barulhoacido.blogspot.com/2012/01/elogio-ao-erro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/795008073804995271/posts/default/1943207812024465921'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/795008073804995271/posts/default/1943207812024465921'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barulhoacido.blogspot.com/2012/01/elogio-ao-erro.html' title='elogio ao erro'/><author><name>Eduardo Furtado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02607638442467506726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_Fwl7dSmu3nM/SyLOaJ_RelI/AAAAAAAAAWc/WUM-YG5Fl-k/S220/2009_1121(045).JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-795008073804995271.post-6532084931151222884</id><published>2012-01-13T03:33:00.000-08:00</published><updated>2012-01-13T03:33:25.540-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ídolos'/><title type='text'>bill drummond</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Fwl7dSmu3nM/S5_S2XKDBrI/AAAAAAAAAZA/RlBNO9hCo5U/s1600-h/86107595getty.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 212px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_Fwl7dSmu3nM/S5_S2XKDBrI/AAAAAAAAAZA/RlBNO9hCo5U/s320/86107595getty.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5449305905512515250" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;em 1991, esse senhor aí em cima estava no duo que mais vendeu singles no Reino Unido naquele ano: o KLF. Quem se lembra de "3am Eternal", "Last Train to Transcental" e "What Time is Love?" Techno para as massas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não torça o nariz: esse senhor aí em cima é o respeitável Bill Drummond, que descobriu o Echo and the Bunnymen e depois montou o KLF sem saber tocar nenhum instrumento (e depois escreveu um manual com seu comparsa de banda, Jimmy Cauty, sobre como ser um pop star: "não aprenda a tocar nenhum instrumento; aliás, se tiver um, jogue-o fora").&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se ainda não bastasse, ele e Cauty queimaram um milhão de libras na gelada Ilha do Jura, norte da Grã-Bretanha, e deletaram todo o catálogo do KLF, que não pode ser mais tocado em nenhum lugar do país. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles anunciaram a decisão de se retirar da cena musical em 1992, quando receberam o prêmio da crítica musical britânica por melhor single ("3am Eternal"). Na ocasião, penduraram uma ovelha morta na entrada do teatro, chamaram o Extreme Noise Terror para a versão ao vivo da música (para quem não conhece: o Extreme Noise Terror é uma banda de death metal violentíssima) e entraram no palco com metralhadoras, disparando grampos na platéia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, Bill Drummond é um artista plástico e curador da K Foundation, que se especializa em custear projetos artísticos provocadores, aquilo que um leigo diria que seu filho de 3 anos faria igual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Post-Script:&lt;/b&gt; Bill Drummond faleceu no final de dezembro de 2010, de câncer. Sua morte foi citada em algumas pequenas notas, e aparentemente ninguém mais fala nele.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/795008073804995271-6532084931151222884?l=barulhoacido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barulhoacido.blogspot.com/feeds/6532084931151222884/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://barulhoacido.blogspot.com/2012/01/bill-drummond.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/795008073804995271/posts/default/6532084931151222884'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/795008073804995271/posts/default/6532084931151222884'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barulhoacido.blogspot.com/2012/01/bill-drummond.html' title='bill drummond'/><author><name>Eduardo Furtado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02607638442467506726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_Fwl7dSmu3nM/SyLOaJ_RelI/AAAAAAAAAWc/WUM-YG5Fl-k/S220/2009_1121(045).JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Fwl7dSmu3nM/S5_S2XKDBrI/AAAAAAAAAZA/RlBNO9hCo5U/s72-c/86107595getty.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-795008073804995271.post-7521584185846048754</id><published>2012-01-13T03:28:00.000-08:00</published><updated>2012-01-13T03:28:06.007-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ídolos'/><title type='text'>the designers republic</title><content type='html'>no livro de Eric Blair (mais conhecido como George Orwell) sobre os mineiros do norte da Inglaterra, está lá: Sheffield é uma cidade imunda, pobre, feia. E é de lá que vieram os revolucionários da the Designers Republic.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo começou com o pop: Ian Anderson (nada a ver com o cara do Jethro Tull) precisava fazer a arte para a banda que gerenciava, então acabou montando a agência. E o primeiro trabalho da agência, a capa para o single "Don't Get Mad, Get Even!", da banda Age of Chance (a banda que Anderson gerenciava) foi eleita uma das 100 melhores capas de discos de todos os tempos pela revista Q.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí para outras bandas, e depois empresas e até mesmo países (a Eslováquia pediu para que a agência criasse a bandeira do país, mas por motivos óbvios, a proposta da agência não foi aceita) foi um pulo. Mesmo com todo o conceito anti-comercial da agência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, a proposta visual da the Designers Republic era fortemente calcada no construtivismo soviético, com forte apelo do Máximo-minimalismo (que prioriza o uso de poucos elementos para criar o máximo efeito da obra; é daí que vem o lema "Menos é mais", popularizado pelo arquiteto modernista Ludwig Mies van der Rohe). Aliás, a arquitetura minimalista do Modernismo é uma das grandes influências da agência. Tanto que foram convidados a participar do projeto de reconstrução de Quito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além do mais, eles foram buscar em Lautréamont, um dos precursores do Surrealismo, inspiração para desenvolver uma forte ironia baseada no plágio. O trabalho que a agência fez para o Pop Will Eat Itself, por exemplo, apresentava engraçadas variações dos logos da Pepsi e de outras empresas (o que não impediu que fossem contratados por grandes corporações). A ironia também está presente em declarações como "Trabalhe Compre Consuma Morra", "Robôs Fazem Robôs" e "Não compre nada, pague agora".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No "Manifesto Comunista", Marx e Engels dão a entender que foi a luta entre a burguesia e o feudalismo (grosso modo) que propiciou o capitalismo, e portanto apenas o desenvolvimento do capitalismo pode criar as bases para que a luta entre proletariado e burguesia ocorra em condições que o primeiro possa derrotar o segundo e instaurar o comunismo. A the Designers Republic seguiu, então, este raciocínio à risca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles abriram uma loja virtual e, logo depois, uma loja física em Tóquio; seus trabalhos, apesar do posicionamento socialista e da forte ironia anti-corporativa, incentivava o consumismo, porém com uma boa dose de informação (vide o site Public Bureau of Consumer Information, um nome típico dos estados comunistas dos anos 60/70).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A agência encerrou seus trabalhos em janeiro de 2009, se bem que em janeiro deste ano, a agência fez a arte do álbum "Oversteps", do Autechre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas chega de conversa. Vá ver alguns trabalhos da agência no site &lt;a href="http://www.pho-ku.com/"&gt;http://www.pho-ku.com&lt;/a&gt; (veja que pho-ku é um trocadilho...). A agência também fez um especial para a revista de design Emigre, que já não circula mais. Veja algumas coisas deste trabalho &lt;a href="http://www.emigre.com/EMag.php?issue=29"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/795008073804995271-7521584185846048754?l=barulhoacido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barulhoacido.blogspot.com/feeds/7521584185846048754/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://barulhoacido.blogspot.com/2012/01/designers-republic.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/795008073804995271/posts/default/7521584185846048754'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/795008073804995271/posts/default/7521584185846048754'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barulhoacido.blogspot.com/2012/01/designers-republic.html' title='the designers republic'/><author><name>Eduardo Furtado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02607638442467506726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_Fwl7dSmu3nM/SyLOaJ_RelI/AAAAAAAAAWc/WUM-YG5Fl-k/S220/2009_1121(045).JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-795008073804995271.post-6660154178784593066</id><published>2012-01-13T03:22:00.000-08:00</published><updated>2012-01-13T12:35:30.604-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ídolos'/><title type='text'>tony wilson</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Fwl7dSmu3nM/S9Bj13P-MQI/AAAAAAAAAak/FC6AvBkOAC8/s1600/factory_ps_tw_ae4.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_Fwl7dSmu3nM/S9Bj13P-MQI/AAAAAAAAAak/FC6AvBkOAC8/s320/factory_ps_tw_ae4.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5462976125015568642" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;em&gt;Da esquerda para a direita: Peter Saville, responsável pela imagem da Factory e a de seus artistas, Wilson e Alan Erasmus, sócio de Wilson e responsável pelas contas; atrás deles, o lugar alugado por Wilson e Erasmus para hospedar os shows das bandas de Manchester, que iria depois se transformar na gravadora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saville era o encarregado de fazer o poster para promover o show de abertura do lugar. No entanto, como era de sua característica, ele entregou o poster na noite do evento (os discos do New Order atrasariam meses só porque Saville estava sempre atrasado). Wilson, no entanto, achou o poster maravilhoso e pagou Saville assim mesmo. &lt;/em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia 18 de maio é importante para a música pop: é o aniversário da morte de Ian Curtis, vocalista do Joy Division. No entanto, a história de Ian, de sua banda, de Manchester e de uma boa parte do indie pop seria totalmente diferente se não fosse por Tony Wilson.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apresentador da TV Granada, Wilson era um dos poucos que estava no Manchester Free Trade Hall naquele 16 de junho de 1976, para ver o show do Sex Pistols. A maioria dos poucos presentes naquele show saiu de lá para montar uma banda (Bernard Albrecht, mais tarde Sumner, e Peter Hook, por exemplo); já Wilson resolveu montar uma gravadora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era a Factory. Já havia gravadoras independentes antes disso, como a grande Rough Trade; no entanto, foi a Factory que adicionou poesia à coisa e, com isso, inspirou muita gente a fazer o mesmo. A Factory não operava como uma empresa normal; não havia contratos com os artistas. Ao mesmo tempo, a verba para marketing dos discos era praticamente nula. Toda a força, humana e financeira, era gasta na música em si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos gravavam nos melhores estúdios de Manchester; e as capas eram, por si só, obras de arte. Isso porque Wilson andava com Martin Hannett, produtor extraordinaire que inventou um padrão de produção depois largamente copiado; e com Peter Saville, cujas capas de discos são expostas em museus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Factory operava sem prazo e sem orçamento: não fez dinheiro, mas fez história (quem disse isso foi Wilson, que também sabia fazer ótimas frases). No entanto, isso não impediu Wilson e trupe de abrir o Haçienda (primeiro lugar onde Madonna se apresentou e primeiro lugar onde o DJ ganhou o direito de comandar as noites) e o Dry - ambas instituições mancunianas que, sinal dos tempos em que vivemos, já fecharam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além do Joy Division, a Factory lançou Happy Mondays e uma miríade de outras bandas da cidade; Wilson achava que era seu dever promover Manchester como pólo de irradiação cultural. Como resultado, na virada dos anos 80 para os 90, o lugar virou a meca do pop mundial: era a onda "Madchester". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, a Factory não foi só isso. Lançou também bandas com quase nenhum potencial comercial, mas de ótima qualidade (Wilson protegia Vini Reilly, do Durutti Column; uma vez, para consolá-lo sobre o escasso público de um show de Reilly no Haçienda, ele disse: "Os grandes momentos da história são testemunhados por poucos visionários. Quantas pessoas estavam na Última Ceia?").&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No auge da Madchester, Wilson resolveu dar à cidade um monumento arquitetônico, e gastou tudo o que não tinha na construção de uma nova sede para a Factory. Ele confiava que suas principais bandas, New Order e Happy Mondays, lançassem novos discos e com isso, provessem os fundos necessários para pagar o luxo do novo prédio. O New Order lançou "Technique", em 89; o Happy Mondays foi para Barbados, com a intenção de se manter longe das drogas. No entanto, a ilha caribenha estava cheia de crack (Shaun Ryder, vocalista da banda, quebrou o braço duas vezes de tão chapado que estava). O disco dos Mondays, "Yes Please", era tão ruim que foi um grande fracasso de vendas. A Factory quebrou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, Wilson não tinha os direitos sobre os discos que lançou - estes eram das próprias bandas ("A Factory não tem nada; os artistas têm o direito de fuder com tudo", estava escrito nos contratos que Wilson assinava com suas bandas - a sangue). Assim, Wilson ficou com as dívidas enquanto suas bandas negociavam seus catálogos com outras gravadoras. Ele diria, ao se ver totalmente quebrado: "Capitalismo sem falência é como Cristianismo sem inferno".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Wilson tentou reformar a Factory várias vezes, sem sucesso; até que um câncer lhe matou. Ele não podia pagar seu tratamento, estimado em £3.500 ao mês ("Costumei dizer que alguns ganham dinheiro e outros fazem história, e isso é muito engraçado até que alguém se vê sem condições financeiras de manter a própria vida"). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele faleceu em 10 de agosto de 2007. Como em tudo na Factory, seu caixão também foi catalogado - recebeu o número FAC 501 ("Closer", o melhor disco lançado pela gravadora, era FAC 25; "Unknown Pleasures", primeiro disco do Joy Division, FAC 10; o Haçienda era FAC 251).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/795008073804995271-6660154178784593066?l=barulhoacido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barulhoacido.blogspot.com/feeds/6660154178784593066/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://barulhoacido.blogspot.com/2012/01/tony-wilson.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/795008073804995271/posts/default/6660154178784593066'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/795008073804995271/posts/default/6660154178784593066'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barulhoacido.blogspot.com/2012/01/tony-wilson.html' title='tony wilson'/><author><name>Eduardo Furtado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02607638442467506726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_Fwl7dSmu3nM/SyLOaJ_RelI/AAAAAAAAAWc/WUM-YG5Fl-k/S220/2009_1121(045).JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Fwl7dSmu3nM/S9Bj13P-MQI/AAAAAAAAAak/FC6AvBkOAC8/s72-c/factory_ps_tw_ae4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-795008073804995271.post-1822618943026258505</id><published>2012-01-13T03:16:00.001-08:00</published><updated>2012-01-13T03:16:48.258-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenha de livros'/><title type='text'>noturno de havana - t.j. english</title><content type='html'>A história nem é tão obscura: trata-se da tentativa do crime organizado norte-americano de criar uma Las Vegas em grande escala em Cuba, nos anos anteriores à Revolução Cubana. A história já foi filmada por Coppola em "O Poderoso Chefão II", por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, o mérito de English é contextualizar a operação em um quadro bem mais amplo. Por exemplo: pelo livro entendemos a participação de Fulgêncio Batista, o presidente derrubado por Fidel, no caso. Batista foi muito mais do que um presidente corrupto; ele mesmo participava do plano de transformar a ilha em um paraíso para viciados de todos os tipos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ideia era transformar Cuba no paraíso tropical da perdição: cassinos, prostíbulos, drogas... tudo o que implicasse em vício, e rendesse muito dinheiro à máfia, estaria à disposição do mundo. Para isso, era preciso mais do que corromper a alta cúpula do governo; era preciso fazê-los parte do processo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro ainda deixa uma pergunta interessante no ar: Fidel Castro recebeu dinheiro da máfia? Quando ficou claro que o regime de Batista era insustentável e que os revolucionários entrariam em Havana a qualquer momento, vários mafiosos tentaram colocar Fidel e seu grupo sob sua influência. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ideia era: a economia cubana já estava extremamente dependente dos cassinos e da construção civil financiada pela máfia. Os hotéis cresciam como mato no Malecón de Havana; empregavam milhares de pessoas durante e depois de sua construção. O que os comunistas fariam com o setor? Fechar tudo era um suicídio econômico; manter a situação era manter a corrupção. O que Fidel faria após tomar o poder?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para a máfia, estava claro que ele não poderia fechar os cassinos, que além de tudo, eram uma grande fonte de dólares. Para Fidel, era óbvio que os cassinos eram a fonte da corrupção e da exploração social que ele estava determinado a derrubar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O contato entre as duas partes foi tímido. A máfia tentou enviar dinheiro e armas para Fidel, quando entendeu que o regime de Batista já era; o livro não deixa claro se os recursos foram usados pelos combatentes. O que a história mostra é que Fidel não fechou os cassinos de  imediato; ele nomeou um acólito da Máfia para supervisionar o setor (que, depois do fechamento dos cassinos, tentou matá-lo). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, nem tudo são flores. A edição brasileira é inacreditavelmente mal-cuidada; não houve revisão gramatical, por exemplo. A tradução, do escritor pop Santiago Nazarian, é péssima; além de não saber a gramática portuguesa (é "reacender" e não "reascender", Santiago!), ele desconhece expressões idiomáticas básicas do inglês. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se puder ler a versão original, faça isso; caso contrário, espere uma reedição, porque é improvável que a Cultrix (dona do selo Seoman, que publicou o livro) mantenha uma versão de tão baixa qualidade nas livrarias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai aí um trailer do filme "O Poderoso Chefão II", para dar uma idéia da história sob a visão de Francis Ford Coppola:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe width="560" height="349" src="http://www.youtube.com/embed/qJr92K_hKl0?rel=0" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/795008073804995271-1822618943026258505?l=barulhoacido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barulhoacido.blogspot.com/feeds/1822618943026258505/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://barulhoacido.blogspot.com/2012/01/noturno-de-havana-tj-english.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/795008073804995271/posts/default/1822618943026258505'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/795008073804995271/posts/default/1822618943026258505'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barulhoacido.blogspot.com/2012/01/noturno-de-havana-tj-english.html' title='noturno de havana - t.j. english'/><author><name>Eduardo Furtado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02607638442467506726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_Fwl7dSmu3nM/SyLOaJ_RelI/AAAAAAAAAWc/WUM-YG5Fl-k/S220/2009_1121(045).JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/qJr92K_hKl0/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-795008073804995271.post-1511099051239456020</id><published>2012-01-13T03:14:00.000-08:00</published><updated>2012-01-13T03:14:06.249-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='resenha de livros'/><title type='text'>vinhas da ira - john steinbeck</title><content type='html'>Não se pode ler o clássico de John Steinbeck, "Vinhas da Ira", apenas como um relato pungente das agruras sofridas durante a Grande Depressão ou como uma parábola religiosa sobre a solidariedade. O livro é tudo isso e ainda mais: um panfleto contra o capitalismo e, principalmente, uma profunda análise sobre a condição humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Steinbeck é incisivo quando trata de mostrar as diferenças entre os esfomeados migrantes e os bem-estabelecidos donos das terras. Os primeiros lutam pela sobrevivência; os outros, são apenas ambiciosos. Esta diferença dá o tom do livro: a solidariedade que o grupo abastado nega é abundante dentre os que nada têm. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É esta diferença que cria a identidade de cada grupo. Steinbeck narra com precisão os truques que os fazendeiros empregam para abaixar os salários: sujeitos à lei da oferta e demanda, quanto mais migrantes, ou seja, mão de obra em abundância, menores ficam os salários. Se, por outro lado, a lei pende em favor dos trabalhadores, então o governo toma medidas para que a inflação não suba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Steinbeck mostra, sem pudores, como o aparelho estatal ajuda os fazendeiros a manter a ordem, em um ambiente favorável à rebelião. A propaganda ideológica, então, entra a todo o vapor: quem pede salários mais altos é classificado como "vermelho". E, a todo momento, as políticas sociais do New Deal são criticadas pelos bem-estabelecidos, igual às críticas que o Bolsa Família recebe por aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, o livro todo parece ser construído em torno de uma personagem só. Ela é a única de quem não sabemos o nome; é a única que não se transforma durante o desenrolar da história e, ao mesmo tempo, é a única que transforma a todos. Ela é a matriarca da família Joad, que sai de Oklahoma, expulsa de suas terras por causa de dívidas, e que vai à Califórnia tentar a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro pode ser dividido em três partes: a chegada de Tom, o filho que estava na cadeia, à casa da família Joad; o trajeto até a Califórnia e, por fim, a luta pela sobrevivência no Oeste. Os capítulos alternam-se entre o relato puro das aventuras da família e relatos um tanto abstratos da conjuntura social em que os Joad estão adentrando, muitas vezes sem o saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em todas as três, é a matriarca da família quem serve de suporte para que a família resista. Tal e qual a heroína de "Ensaio sobre a Cegueira", de José Saramago, ela vê a degradação humana, seja pelos lucros, seja pela fome, e não se altera: suas convicções a respeito da necessidade da solidariedade, da união familiar, do trabalho duro, continuam as mesmas. E, assim, ela gradualmente toma o lugar do marido como líder da família. Isso é o que precisa ser feito para que a sua família também não sucumba ante a miséria total da sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, também ela sabe que esta é uma luta condenada à derrota. Suas ações de solidariedade lhe causam problemas com as outras famílias necessitadas; um a um, seus filhos vão se separando da família; e o trabalho duro não se traduz em melhores condições de vida. Mas ela não cede um milímetro; sabe que a vitória está dentro dela, na paz interior de quem sabe que fez como tinha de ser feito, e que isso basta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na única descrição que Steinbeck faz dela em todo o romance, ele escreve: "Os olhos cor-de-avelã sugeriam os muitos dramas que devem ter presenciado e pareciam ter atingido a dor e o sofrimento, escalando, degrau após degrau, até alcançarem uma serenidade e uma compreensão pós-humanas". Steinbeck deixa claro que apenas pela dor e pelo sofrimento se pode atingir uma condição superior, e se tornar uma pessoa de convicções. Aquele que evita a dor e o sofrimento é um fraco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É neste contexto que deve ser entendida a cena que encerra o livro. Quando a natureza se alia aos exploradores e tira tudo o que a família Joad tem, inclusive a sua terceira geração, ela então convence a filha a amamentar um velho que está prestes a morrer de fome. Ela o faz porque o velho deixou de comer para alimentar seu filho. De quebra, a cena ainda mostra a conversão da filha, antes uma egoísta e que, depois de abandonada pelo marido e de perder seu filho, consente em colocar o seio na boca do moribundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A solidariedade do velho em cuidar da sua família, mesmo que à custa de si mesmo, é recompensada pelo ato extremo de doação. No entanto, para poder realizar este ato, é preciso sofrer - e muito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Steibeck nos lembra, portanto, que a dor e o sofrimento são elementos indispensáveis para a salvação do homem - não em um sentido bíblico, mas terreno, pragmático, sem ideologia ou fé. A maioria das pessoas usa a dor e o sofrimento como justificativa para seu egoísmo, e com isso infligem ainda mais dor e sofrimento ao mundo. A matriarca da família Joad, a mulher sem nome, ao contrário, torna-se a única esperança de quem também tem dor e sofre. É preciso, portanto, mergulhar na dor e viver o sofrimento para se alcançar uma condição superior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(publicado originalmente em ideias de mesa)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/795008073804995271-1511099051239456020?l=barulhoacido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barulhoacido.blogspot.com/feeds/1511099051239456020/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://barulhoacido.blogspot.com/2012/01/vinhas-da-ira-john-steinbeck.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/795008073804995271/posts/default/1511099051239456020'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/795008073804995271/posts/default/1511099051239456020'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barulhoacido.blogspot.com/2012/01/vinhas-da-ira-john-steinbeck.html' title='vinhas da ira - john steinbeck'/><author><name>Eduardo Furtado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02607638442467506726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_Fwl7dSmu3nM/SyLOaJ_RelI/AAAAAAAAAWc/WUM-YG5Fl-k/S220/2009_1121(045).JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-795008073804995271.post-1488977216698751266</id><published>2012-01-12T08:32:00.000-08:00</published><updated>2012-01-12T08:32:27.348-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='esboços'/><title type='text'>sem título 1</title><content type='html'>Retumbam ainda os nublados sussurros&lt;br /&gt;Das vontades tatuadas em seu corpo universal.&lt;br /&gt;Receba então como dama cativa&lt;br /&gt;O desespero do andar à deriva&lt;br /&gt;Dos homens entorpecidos nesta noite terminal.&lt;br /&gt;Na busca pelo astro de teus lábios&lt;br /&gt;Vão os loucos, os novos e os sábios,&lt;br /&gt;Perdem-se nas sombras de desejos futuros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá, onde os dias não têm tarde nem manhã;&lt;br /&gt;Lá, onde as trilhas são as mesmas de antes:&lt;br /&gt;Proliferam gemidos macilentos&lt;br /&gt;Dos fugazes êxtases violentos -&lt;br /&gt;Soam como meros naufrágios distantes.&lt;br /&gt;Não há cor nem gosto,&lt;br /&gt;Esquecem seu nome e rosto&lt;br /&gt;Cegos pelo delírio de sua febre terçã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu me afasto, triste&lt;br /&gt;Desta noite que confunde céu e mar.&lt;br /&gt;Mas meus olhos, em riste&lt;br /&gt;Seguem presos ao seu cansaço de vagar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/795008073804995271-1488977216698751266?l=barulhoacido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://barulhoacido.blogspot.com/feeds/1488977216698751266/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://barulhoacido.blogspot.com/2012/01/sem-titulo-1.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/795008073804995271/posts/default/1488977216698751266'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/795008073804995271/posts/default/1488977216698751266'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://barulhoacido.blogspot.com/2012/01/sem-titulo-1.html' title='sem título 1'/><author><name>Eduardo Furtado</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02607638442467506726</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_Fwl7dSmu3nM/SyLOaJ_RelI/AAAAAAAAAWc/WUM-YG5Fl-k/S220/2009_1121(045).JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
